
Não costumo discutir textos de colegas do Departamento de Desenho Industrial da Ufes porque os interesses raramente estão alinhados. Hoje, no entanto, recebi a indicação de leitura de um curtíssimo post do blog da Profª Sandra Medeiros que toca em assuntos que me interessam diretamente.
Não tenho intimidade nem tampouco interesse de discutir o texto no blog de origem e acho que o barato da Internet é justamente esse: fazemos o que bem entendemos com o conteúdo que é público. O blog da professora não tem nenhum tipo de licença que defina as regras de reprodução ou citação das suas publicações, de forma que adotarei a estratégia de citar a fonte e manter meu texto indireto (já pensando em eventuais problemas jurídicos). Leia o post na íntegra aqui e vamos lá:
1) Sugerir que as universidades deveriam reprovar em massa é covarde
Se o ensino médio (fundamental, infantil, tanto faz) é ruim, fechar as portas do ensino superior definitivamente não é uma solução. Temos bons 80 anos de Piagetianos e Vygotskyanos sugerindo que o erro é mais importante que o acerto e que o aprendizado verdadeiro não ocorre apenas no exercício de competências e habilidades plenas do aprendiz. Aprender é não estar pronto por definição. Naturalmente isso não isenta a educação básica de preparar melhor o estudante, mas vale mencionar que a formação do estudante é global: família, sociedade, escola e suas demais relações de pertencimento. Se alguém chega abaixo de sete ao nível superior, não se trata de um problema do ensino médio.
2) Mais reprovações ou mais exigências resultariam em mais estudos
Seguindo o raciocínio do item 1, essa proposta é ainda mais desmedida. Estudamos mais e estudamos melhor aquilo que nos interessa. Se o ensino médio é desinteressante, o problema não pode recair apenas sobre o estudante. Após 15 anos de conteúdos sem relação alguma com a realidade de quem estuda, nenhum resultado será mais esperado que o desinteresse completo. Repressão e reprovação só terminarão de empurrar ladeira abaixo aquilo que já estava na trajetória de descida.
3) A universidade é o locus da elite e do alto conhecimento
Vejamos o conjunto: uma formação de base desinteressante e desconectada da realidade produz um estudante incapaz de acessar uma universidade e esta instituição, com todo o conhecimento produzido por seus habitantes (a elite), reforça o abismo dificultando acesso ao mesmo conhecimento que poderia contribuir para a inversão do quadro anterior? Não faz o MENOR sentido. Nem entrarei no mérito da distinção rasa entre alto e baixo conhecimento e me recuso a ver a universidade como locus de qualquer elite que seja. O mundo é plano, a cognição é distribuída e a verdade está lá fora.
4) A formação do aluno é sobretudo de responsabilidade do professor
Professor não é pai, nem mãe, nem confessionário, nem analista. A formação do aluno é de responsabilidade do professor na mesma medida em que o professor é formado pelo aluno. Um não existe sem o outro e a formação não é unidirecional. A educação é um processo, um fluxo, um acordo onde as duas partes decidem caminhar juntas e chegarão onde for possível e interessante a ambos. Dedicação é resultado de interesse, de encantamento e de afinidade, não de repressão.
5) O corpo docente da Ufes é tolerante e brando com os estudantes
Para o colonizador, os nativos são sempre atrasados e primitivos. Não são asseados o bastante, limpos o bastante ou inteligentes o bastante. Por isso, precisam ser dominados, doutrinados, catequizados, civilizados.
Eu sempre achei mais legal brincar de índio.
[eng] Music for the (unfinished) IFM’s homonymous demo.
[pt]
Música do demo de mesmo nome (não terminado) do IFM.
Pasmem: cartaz nenhum transmite ou informa coisa alguma. Nós somos atores da busca e construção da informação, seja lá onde for.
Se você inverter essa concepção, estará alinhado com o mainstream do UX Design que pensa a cognição como mero processamento passivo de informações. Bombardeio, transmissão, recepção, organização que precede a estrutura. Metáfora do tubo de 50 anos de idade sendo usada para discutir a invenção de amanhã.
Todo design é de interação pois uso algum acontece sem um ator que constrói seu próprio mundo onde a interação acontecerá. Todo agir é um conhecer de alguém que inventa a si mesmo e as potencialidades para a ação. Eu digo que design de interação não existe e tem gente que acha que estou desmerecendo a área. É justamente o contrário: estou valorizando a interação fundamental para que qualquer design funcione, independente do meio. A distinção mais atrapalha que ajuda, contribuindo para a sobrevida de péssimos designers de cartazes que se acham ótimos designers de sistemas interativos.
Pobre cartaz, relegado a design menor. Pobre IHC, promovida a novidade. É tudo design. O mesmo bom e velho design de sempre. Aquele, da pedra lascada e do futuro iPhone.
Apesar da discordância com o cartaz do Carlos Kramer, o resto do texto é leitura obrigatória para a maioria dos deslumbrados pelo design flat de banheiro que está no hype do momento.
testes de um spinoff do Pen-C rodando direto no navegador (canvas+js)… melhor dos mundos: livecoding, não precisa instalar nada, sketches na nuvem e webgl a caminho.
E aí o tal Design Thinking, o Design Centrado no Usuário e o Design Centrado no Ser Humano estão TÃO preocupados em melhorar a vida das pessoas que se esquecem de perguntar para as mesmas pessoas se “por acaso” a vida delas estaria ruim.
Dedico este link (cortesia do Marck Al) a todos que invocam a IDEO para criticar os “designers do passado”, sugerindo SÓ AGORA os profissionais da área possuem ferramentas para se aproximar da realidade dos usuários e propor soluções inovadoras, cheias de empatia, colaboração e blablablá.
“The more painful the UI is, the more satisfied these users are” - lembranças de David Liddle e suas discussões sobre as fases da adoção de novas tecnologias.
Um dia após o outro a ideia do Instituto de Inovação da Serra sai mais um pouco do papel. A proposta é simples: uma associação sem fins lucrativos cujos objetivos são formar empreendedores e incubar negócios que investem no Design como diferencial competitivo.
O InovaSerra é mais um habitat no ecossistema de empreendedorismo que está sendo construído por tantas mãos aqui no ES, focado no nicho dos designers. Gosto de pensar que o Instituto oferecerá a incubação que ainda não é possível na Index (Ufes), o que por consequência ampliará o escopo de ação para quem também não é aluno e que deseja empreender na área. Por outro lado, fora do conforto da Universidade tudo é mais complicado e por isso qualquer apoio será muito bem-vindo.
Ainda somos poucos diretamente envolvidos e o trabalho por fazer é tão grande quanto é necessário. Tenho visitado as empresas capixabas para explicar a ideia e convidá-las a fazer parte da iniciativa. Quero conversar com outros profissionais, estudantes e professores e qualquer um que deseja começar ou investir em um negócio na área de Design e desconhece os caminhos. Por favor curtam e espalhem a ideia para interessados em potencial.
Farei um encontro na próxima semana para detalhar a proposta, objetivos e estatuto do Instituto, bem como apresentar o planejamento das ações para 2013-2014. Quem tiver interesse em participar é só escrever para contato@inovaserra.org para saber mais sobre o local, horário e programação do encontro.
Desde já agradeço pelo apoio e paciência de quem já me recebeu e demonstrou interesse em fazer acontecer: Fábio Nogueira, Felipe Gama e pessoal do Balaio, Bruno Nogueira, Gustavo Rodrigues e Arthur Perin Motta da EyeMove, Priscila Santuzzi e Patrick Soares da ID Projetos, Paulo Henrique Baracho Munhoz da Wine, Victor Maia do Elemento, André Fiorini Castiglioni da Start You Up e todos os demais que já participaram de uma parte disso na Index.
O design que será mais discutido pela população brasileira até a Copa das Confederações acaba de ser apresentado por Luiz Felipe Scolari.
Design sem Designer: R$ 14,90 (PDF ou EPUB)
http://symbolik.com.br/designsemdesigner/
Propor uma tricotomia com Merleau-Ponty na primeiridade, Gibson na secundidade e Peirce na terceiridade para explicar a percepção é ser peirceano até quando não precisa.
Enativistas discordam.