E aí o tal Design Thinking, o Design Centrado no Usuário e o Design Centrado no Ser Humano estão TÃO preocupados em melhorar a vida das pessoas que se esquecem de perguntar para as mesmas pessoas se “por acaso” a vida delas estaria ruim.
Dedico este link (cortesia do Marck Al) a todos que invocam a IDEO para criticar os “designers do passado”, sugerindo SÓ AGORA os profissionais da área possuem ferramentas para se aproximar da realidade dos usuários e propor soluções inovadoras, cheias de empatia, colaboração e blablablá.
“The more painful the UI is, the more satisfied these users are” - lembranças de David Liddle e suas discussões sobre as fases da adoção de novas tecnologias.
Um dia após o outro a ideia do Instituto de Inovação da Serra sai mais um pouco do papel. A proposta é simples: uma associação sem fins lucrativos cujos objetivos são formar empreendedores e incubar negócios que investem no Design como diferencial competitivo.
O InovaSerra é mais um habitat no ecossistema de empreendedorismo que está sendo construído por tantas mãos aqui no ES, focado no nicho dos designers. Gosto de pensar que o Instituto oferecerá a incubação que ainda não é possível na Index (Ufes), o que por consequência ampliará o escopo de ação para quem também não é aluno e que deseja empreender na área. Por outro lado, fora do conforto da Universidade tudo é mais complicado e por isso qualquer apoio será muito bem-vindo.
Ainda somos poucos diretamente envolvidos e o trabalho por fazer é tão grande quanto é necessário. Tenho visitado as empresas capixabas para explicar a ideia e convidá-las a fazer parte da iniciativa. Quero conversar com outros profissionais, estudantes e professores e qualquer um que deseja começar ou investir em um negócio na área de Design e desconhece os caminhos. Por favor curtam e espalhem a ideia para interessados em potencial.
Farei um encontro na próxima semana para detalhar a proposta, objetivos e estatuto do Instituto, bem como apresentar o planejamento das ações para 2013-2014. Quem tiver interesse em participar é só escrever para contato@inovaserra.org para saber mais sobre o local, horário e programação do encontro.
Desde já agradeço pelo apoio e paciência de quem já me recebeu e demonstrou interesse em fazer acontecer: Fábio Nogueira, Felipe Gama e pessoal do Balaio, Bruno Nogueira, Gustavo Rodrigues e Arthur Perin Motta da EyeMove, Priscila Santuzzi e Patrick Soares da ID Projetos, Paulo Henrique Baracho Munhoz da Wine, Victor Maia do Elemento, André Fiorini Castiglioni da Start You Up e todos os demais que já participaram de uma parte disso na Index.
O design que será mais discutido pela população brasileira até a Copa das Confederações acaba de ser apresentado por Luiz Felipe Scolari.
Design sem Designer: R$ 14,90 (PDF ou EPUB)
http://symbolik.com.br/designsemdesigner/
Propor uma tricotomia com Merleau-Ponty na primeiridade, Gibson na secundidade e Peirce na terceiridade para explicar a percepção é ser peirceano até quando não precisa.
Enativistas discordam.
Hoje tem bate-papo com os alunos do curso de administração da UNESC sobre empreendedorismo, carreira, Index e os bastidores da vida de quem não dorme :)

Design Hangouts
Depois da experiência na optativa de Epistemologia do Design resolvi organizar discussões online quinzenais usando o Hangout do Google. Quero convidar os amigos para trocar experiências, discutir livros, projetos e assim por diante. Ao vivo e sem edição é mais legal que podcast. É só acompanhar por aqui para saber como participar.
CodeLab-UFES
Estou spinoffando o LabPC para criar o Laboratório de Design Computacional ou Computational Design Laboratory (co-de-lab). A partir de 20 de maio teremos encontros semanais com foco exclusivo em explorar e experimentar diversas linguagens de programação. O objetivo não é pesquisar nada de antemão e sim experimentar o potencial estético do código, buscando desdobramentos para este trabalho.
PS: Sim, eu adoro resetar as coisas anualmente.
Essa lista de livros gratuitos de Smalltalk organizada pelo Stéphane Ducasse é antiga e sempre que comento que estou trabalhando com Squeak alguém me pergunta como aprendi.

A biblioteca da Ufes tem um exemplar do livro clássico da Adele Goldberg, embora a poeira e o mofo inviabilizem a leitura. Ainda acho o Squeak by Example um dos melhores começos, com o Pharo by Example sendo ainda mais atual.
Com o trabalho novo da equipe do Alan Kay no VPRI começando a fazer barulho, acho que aprender Smalltalk será um ótimo negócio para qualquer um :)
Resultados da disciplina-experimento de Epistemologia do Design, ofertada presencialmente e na modalidade EAD, sugerem uma série de questões:
1) Alunos do presencial no curso de Design da Ufes não estão prontos para o ritmo e o compromisso das atividades que o online demanda.
2) Pessoas de fora da Ufes estão menos ainda, pois nenhum daqueles que iniciou a participação sequer passou do meio do semestre. Considero a possibilidade da disciplina ter sido horrível e ainda assim me surpreendi com nenhum dos 30 inscritos EAD terem concluído o curso.
3) Discutir Design pra valer, abordando a complexidade do fenômeno sob vários prismas (economia, política, sociologia, filosofia, história, psicologia e assim por diante) é bem difícil mas vale o esforço. Percebi o melhor crescimento na capacidade de discussão dos meus alunos em quase 10 anos de sala de aula no ensino superior. Aqueles alunos que enfrentaram o desafio provavelmente tiveram discussões ricas e os trabalhos que eles escreveram confirmam minha impressão.
4) Por outro lado, discutir Design pra valer significa descobrir e assumir todos problemas da formação que nós oferecemos. Encontrei estudantes com um repertório amplo e consolidado de frases de efeito vazias, argumentos furados sem fonte e o meu dilema favorito: a perpetuação do mito do Design como algo especial que ninguém consegue explicar qual é a especialidade.
Algumas decisões de ano novo:
1) Minha intenção era oferecer a disciplina EAD/presencial para entender se seria possível adotar isso como regra. Em outras palavras, eu sonho com o dia quando o aluno não só terá a OPÇÃO de cursar uma disciplina EAD com a mesma validade da presencial, mas também terá o MESMO COMPROMISSO.
2) Precisamos sim ter discussões de altíssimo nível, hardcore, sangue nos olhos mesmo na graduação. É inaceitável um aluno de Design conhecer Papanek, Alexander, e Bonsiepe quase na hora de formar do mesmo jeito que é estranho passar um curso inteiro sem saber nada sobre tantos outros que são “básicos” locais e estrangeiros (Pevsner, Dorfes, Heskett, Ruskin, Morris, Argan, Giedion, Bill, Cardoso, Gullar, Bardi e assim por diante…). É inaceitável não entender as dimensões sócio-históricas do seu próprio trabalho e ainda mais inaceitável desconhecer as origens de uma série de cânones que repetem feito autômatos. Não há nada de errado em aprender coisas sobre o Design curtindo posts de perfil no Facebook, desde que o resto não fique esquecido. Muitos falam sobre Bauhaus e Hfg-Ulm (e toda a dinastia brasileira) com desdenho e muitos com adoração. Nenhum dos dois grupos de fato estudaram e entendem que história foi essa.
3) A parte mais perigosa é o “salto”: junte estudantes sem base com modismos ocos como o Design Thinking e temos uma visão pífia da área. Um conjunto absolutamente complexo de fenômenos que se desenvolveu por milênios são resumidos a mantras da última década lindos de colocar em slides. O problema não é que o DT e outros modismos sejam ruins e sim que a falta de repertório crítico transforma um caminho possível na única verdade da vida.
4) Toda essa fundamentação histórica e teórica não serve pra nada sem o diálogo com o mercado. A melhor parte das discussões do semestre abordaram a prática. É de reflexão sobre o que é fazer Design que os estudantes precisam, não de um metodologismo fácil e acéfalo…
5) … O que me leva à DEMANDA de trazer mais alunos da arquitetura (e de artes e comunicação) para as discussões dessa prática de projeto no curso de Design. Os poucos estudantes do curso de arquitetura participaram brilhantemente das discussões, pensando o Design ombro a ombro. Na verdade, em muitas situações as questões trazidas pelos futuros arquitetos sobre o ato projetual foram infinitamente mais ricas que as exclusivas do design gráfico por motivos óbvios. Ninguém perde muito tempo pensando nos desdobramentos políticos de um cartaz que anuncia um novo condomínio do “Minha Casa Minha Vida”, enquanto o projeto do condomínio em si dá um semestre inteiro de quebra pau. Tá tudo errado, precisamos discutir tudo junto, pois na vida as coisas estão todas juntas.
A próxima edição dessa disciplina acontecerá em 2013/2, apenas presencialmente. Obrigado a todos os interessados que levaram até o final. Alguns feedbacks que recebi valeram pelo ano INTEIRO.
O livro Design para Empreendedores terá seu lançamento adiado por excelentes motivos: convidamos empresas brasileiras de referência para completar o texto básico com cases e apresentação das suas abordagens de projeto.
Participações confirmadas de Sebastiany (SP), Bold (RJ), Nitrocorpz (GO), Balaio Comunicação e Design (ES) e ID Projetos (ES).
Aguardem a lista completa de empresas que participarão do livro e a nova previsão de lançamento. Enquanto isso, aproveitem para espiar uma parte do primeiro capítulo: “A interface como domínio do Design”.
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