hugocristo, firestarter

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Design sem Designer
Mar 12 ’13

Design Thinking e Startups: tudo a ver?

A beleza do hype é que ele nos oferece oportunidades diárias de questionar suas bases (se é que elas existem).

Neste vídeo interessante da aceleradora de startups 21212, Denise Eler fala sobre a importância do design e da participação de designers nesse tipo de ecossistema. 

Apesar de falar do design de forma geral, ela descreve o Design Thinking (DT) como uma alternativa a um “modelo consagrado” - o modelo industrial (nas palavras dela). Não pretendo discutir mais uma vez se o DT seria uma alternativa de fato a qualquer coisa e sim me concentrar na crítica que a Denise faz sobre aquele modelo de gestão “engessado” que seria inapropriado para as startups.

Atenção Descartes, Newton e Taylor: o DT é uma resposta para as pessoas que trabalham com a mentalidade de vocês. 

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Eu entendo perfeitamente a crítica. De fato, seria até difícil encontrar os limites da contribuição desses três nomes no mindset ocidental, especialmente dos dois primeiros. Provavelmente não haveria um Taylor sem Newton e Descartes, mas como não sou especialista em teoria nem história da administração prefiro me concentrar nos dois primeiros mortos célebres que não podem se defender.

Infelizmente, como a entrevistada do vídeo sugeriu, para falar sobre Descartes e Newton eu precisarei continuar no “mundinho” dos designers. De fato, na formação oferecida pelas escolas brasileiras de design que eu conheço, o business não é o centro da discussão. Isso não é um problema necessariamente ligado a nenhuma das três celebridades, mas à constituição do currículo básico da área sob influência das vanguardas do séc XX. Com a exceção dos norte-americanos, que entenderam bem cedo que a produção é voltada para o consumo e não para a transformação da sociedade e suas contradições (não por acaso Taylor é um deles), o pensamento que deu forma ao que é ser designer queria mudar o mundo, não vender algo inovador para seus habitantes. 

Eu concordo com essa falta de conhecimentos da área de negócios na formação da escola onde eu mesmo dou aula. Por outro lado, há designers preocupados com esse deslocamento de foco. Quando John Maeda questiona Donald Norman se designers realmente deveriam resolver problemas de gestão e de negócios, pode até parecer que ele sugere que deveríamos continuar no tal “mundinho”. Entretanto, acredito que o Maeda defende justamente o inverso: projeto algum é neutro em relação ao contexto que o gerou, principalmente do ponto de vista dos negócios e dos modelos de gestão que sustentaram o processo. Talvez, o problema do designer seja sintetizar tais pontos de vista e modelos no objeto (no ato de projetar) e não apenas nos processos organizacionais sob pena de esquecer ou menosprezar o fato de que design algum acontece sem introduzir algo no mundo.

Nos primeiros 30 segundos do vídeo a Denise Eler menciona que na formação dos empreendedores brasileiros haveria a cultura da criatividade, mas faltaria o método, o processo e a união de pessoas com os mesmos interesses. Considerando o universo conceitual do DT, a citação de métodos, processos e da colaboração como caminho para a inovação é compreensível. A questão é entender se Descartes poderia ficar de fora de qualquer empreitada que estabelece um raciocínio baseado em métodos como estratégia para resolver problemas. A cultura norte-americana (aquela, do Taylor) foi o celeiro de uma busca por métodos de design na segunda metade do séc XX. Muitos desses métodos estão presentes no mindset dos thinkers, curiosamente.

Entender de gente, que é a segunda oportunidade mal aproveitada pelos designers citada no vídeo, nos leva a Descartes novamente. Acho bem complicado tentar imaginar o alcance do dualismo cartesiano na concepção mainstream de mente, processos mentais, experiência e, naturalmente, de pesquisa com usuários que permeia a área do design (incluindo o DT). Descartes reverbera nas teorias populares que pensam o usuário como um processador de informações e a interação como um esquema computacional de entradas e saídas. Gente que investiga modelos mentais e acredita em mentalese deveria agradecer a Descartes diariamente pelo conjunto da obra.

Vamos à segunda celebridade: definitivamente gostaria de saber qual parte do DT consegue ser uma resposta ao pensamento do Newton. Com a exceção de um Einstein, a maioria das pessoas (de negócios ou não) consegue mais fazer perguntas que oferecer respostas ao Newton. Só por curiosidade, se considerarmos em conjunto a ótica newtoniana e a geometria cartesiana, teremos de uma vez quase um ramo inteiro da ação dos designers no mundo.

Gosto muito do interesse das startups pelo design, acho que realmente tem tudo a ver. Só lamento que a porta de entrada seja pela crítica a um modelo que nem sequer é hegemônico. Também me preocupa um pouco a ideia de rotular os designers de criativos, principalmente pela possibilidade perigosa de associar a noção de projeto à de criação (assunto pra outro post).

Para concluir, toda vez que vejo um evangelista explicando o diferencial competitivo do DT (afinal, é um negócio em si mesmo), reforço a minha hipótese de que tudo isso é apenas uma briga de mercado entre as consultorias para ver quem gera mais inovação e mais resultados dentro do sistema que eles tanto criticam.

Taylor ficaria orgulhoso.

Mar 9 ’13
Qual a relação entre a abordagem mentalista das affordances de Donald Norman e as explicações hegemônicas sobre o que seria Design? O livro Design sem Designer apresenta outra possibilidade para conceituar o ato projetual, sem mitos ou ginástica mental.Design sem Designer: R$ 14,90 (E-book PDF)http://symbolik.com.br/designsemdesigner

Qual a relação entre a abordagem mentalista das affordances de Donald Norman e as explicações hegemônicas sobre o que seria Design? O livro Design sem Designer apresenta outra possibilidade para conceituar o ato projetual, sem mitos ou ginástica mental.

Design sem Designer: R$ 14,90 (E-book PDF)
http://symbolik.com.br/designsemdesigner

Mar 8 ’13

Captura da intro de 4kb que o Danilo Guanabara fez com minha música para a Tokyo Demo Fest 2013 que rolou em fevereiro, no Japão. O treco ficou em 2º lugar na competição, que foi bem mais do que esperávamos :)

Pra quem não entende o que é isso, uma explicação breve e insuficiente: a animação na verdade é um programa (escrito em C) que gera os gráficos (openGL) em tempo real (como os jogos fazem), sincronizados com a música, e tudo precisa caber em 4096 bytes (poderia ser salvo 244 mil vezes num pen drive de 1 GB). Programar só os gráficos com essas limitações já é uma maluquice monstruosa. 

Lá pelos anos 1990 era raro sobrar espaço para a trilha sonora, principalmente porque qualquer sample bobo sozinho já significa alguns kilobytes a mais. De uns tempos pra cá uns caras geniais lançaram sintetizadores via software gratuitos que podem ser incluídos no código, gerando samples sensacionais em tempo real. Na prática o treco pode ter 4kb no disco e uns 2gb de informação na memória. 

Antes de ser comprimida para caber nos 4kb, minha música tem 16kb. O MP3 equivalente tem 4mb :)… Isso só é possível porque o programa gera os instrumentos no carregamento e só armazena a “partitura”, mais ou menos como um arquivo MIDI reproduzido em um teclado sintetizador. 

Demoscene ♥

3 notes

Mar 5 ’13

Design sem Designer: conteúdo adicional

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Este post é apenas uma página permanente para concentrar o conteúdo adicional do livro Design sem Designer. Serão dez posts no total, com previsão de um novo texto por semana, em média.

Parte I - Revisão Inconsequente

  • Post nº 1: O plano do livro.
  • Post nº 2: Falta de espaço e relevância na escolha dos temas do livro.
  • Post nº 3: As contribuições de Christopher Alexander e Victor Papanek.

Parte II – Autonomias

  • Post nº 4: O diagrama ontológico de Bonsiepe no diálogo com Norman, Maturana, Varela, Gibson e muitos outros.
  • Post nº 5: Em busca de uma ecologia do uso.

Mar 2 ’13

Design sem Designer: núcleo e periferia [4]

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A proposta do livro Design sem Designer começa de fato na Parte II - Autonomias, com a  discussão do diagrama ontológico de Gui Bonsiepe.

O Google curiosamente aponta meu artigo Três Fases Psicossociais do Design como uma das primeiras referências para o diagrama na Web, em português. Esse artigo, que foi apresentado no P&D 2006 (Curitiba), é o começo da minha busca por um design (ordinário, em minúsculas, como defendo no livro) sem designer.

Confesso que ainda fico surpreso por encontrar poucos trabalhos teóricos no Design discutindo o diagrama. O livro de Bonsiepe é dos anos 90 e há mais pesquisadores citando as Sete Colunas do Design para definir o que seria Design do que pessoas interessadas em aprofundar a proposta.

Os leitores do meu livro devem ter percebido que, de certa forma, sem o diagrama do Bonsiepe não haveria uma proposta como a que eu fiz. O que não sei se ficou claro é que meu débito com esse grande pensador do Design não é muito distinto daquele que tenho com Donald Norman. É óbvio que o Norman é meu robô de sparring, enquanto Bonsiepe é uma espécie de interlocutor oculto com o qual tento estabelecer um diálogo e desenvolver suas ideias.

De fato, o diagrama do Bonsiepe mudou minha formação na graduação na mesma medida em que o livro do Norman despertou meu interesse pela Psicologia. A diferença é que quanto mais eu avancei na minha pós-graduação na Psicologia, mais me aproximei do Bonsiepe e mais me distanciei do Norman.

Sendo sincero, meu reencontro com Bonsiepe no mestrado veio pela leitura de De Máquinas e Seres Vivos e A Árvore do Conhecimento, ambos indicados por um colega da disciplina de Processos Psicossociais em 2005. Havia algo de muito familiar naquelas ideias mas eu não consegui, num primeiro momento, lembrar onde já tinha lido algo sobre a noção de acoplamento estrutural.

Quando comecei a fazer revisão de literatura para os artigos do P&D 2006, busquei um autor que pudesse me ajudar estabelecer um diálogo entre o diagrama do Bonsiepe e as ideias de Maturana e Varela. A surpresa foi imensa quando, checando a nota de rodapé sobre o diagrama no livro do Bonsiepe, descobri que ele mesmo era a ponte. Naquele momento percebi que a ideia que eu estava desenvolvendo, mesmo que de forma muito crua e incipiente, fazia sentido para mais alguém.

Dali para frente, me debrucei sobre os textos dos ciberneticistas para tentar compreender o que teria levado Bonsiepe a pensar o Design de forma tão interessante sem aprofundá-la naquele texto. Explicar a relação usuário-artefato-ação pelo acoplamento estrutural era uma ideia poderosa, mas que tinha terminado cedo demais

Sobre o Norman, as duas ideias que mais me atraíam no texto dele eram as affordances e a dos modelos mentais e conceituais. Posso dizer, sem medo de errar, que eu era cognitivista como a maioria dos designers de interação. Formulações como a imagem do sistema me pareciam extremamente sedutoras e plausíveis.

Tudo mudou quando, por curiosidade, também chequei as notas de rodapé do Norman sobre as affordances e descobri que ele havia modificado ligeiramente a ideia original (e bem controversa há mais de meio século) de James J. Gibson.

Eu demorei quatro anos (2006-2010) para poder conectar Gibson a Maturana, Varela e outros que pensam a cognição corporificada. Na verdade, foi o aprofundamento nos últimos trabalhos do Varela que me ajudaram a entender a relação entre a Enação e a Psicologia Ecológica.

Eu já conhecia o debate histórico entre conexionistas e simbolistas (leia-se entre Jerry Fodor e o grupo PDP), principalmente porque fui um leitor ávido do Steven Pinker entre 2004 e 2007. O outro debate, que na verdade foi uma cruzada quase solitária que ocupou 50 anos de trabalho de James J. Gibson contra o modelo computacional da mente, era desconhecido para mim e provavelmente da maior parte dos designers com os quais já conversei sobre o assunto.

A reaproximação começou com meu projeto de qualificação do doutorado (2010), que contém uma revisão de literatura aprofundada sobre o cognitivismo os desdobramentos do trabalho de Herbert Simon e Allen Newell. Meu interesse era (e ainda é) entender como as concepções que elaboramos sobre os objetos participam do seu uso (tendo a solução de problemas de natureza computacional como caso na tese), o que fatalmente me levou a questionar as implicações do próprio modelo cognitivo que estaria implícito nessa investigação. 

Quando eu menos esperava, Gibson e os ciberneticistas da enação entraram pela porta da frente apontando caminhos para enterrar de vez o fantasma dos mentalismos disseminados por Norman para explicar a interação e a usabilidade. Meu projeto de qualificação reencontrou meu trabalho de 2006, no melhor estilo da articulação pensar-usar-fazer que eu mesmo defendo no livro. Por causa da impossibilidade teórica de colocar Simon e Serge Moscovici em sintonia, saí em busca de perspectivas situadas para os processos cognitivos e pude redescobrir a autopoiese e finalmente me aprofundar nas affordances originais.

Naturalmente eu já havia incorporado as contribuições de Piaget (via Papert, um ciberneticista brilhante), Vygotsky e seus colaboradores (Teoria da Atividade), embora o melhor ainda estivesse por vir.

Devo muito a Tony ChemeroJohn Haugeland e Andy Clark por me mostrarem que o debate não terminou com a morte de Gibson em 1979.  O que houve foi justamente o contrário: enquanto Fodor e seus colaboradores estavam ocupados com os conexionistas, uma série de outros pesquisadores continuaram e desenvolveram a perspectiva ecológica de Gibson por caminhos distintos.

Meu objetivo é justamente trazer as contribuições desse reencontro para o Design, usando o diagrama do Bonsiepe como interface (que é o que ele sempre foi).

A seguir, Autonomias parte II: Deleuze e Guattari

Mar 2 ’13

smarterplanet:

Boston Dynamics’ BigDog Robot Throws Cinderblocks

Essa galera tá cada dia mais sagaz. Esse robô sobe morro carregando peso, corre, salta e agora atira blocos. #respect

186 notes (via smarterplanet & laughingsquid)

Feb 28 ’13
Achado da semana no Estante Virtual: edição de 1980 NOVA. Eu disse NOVA, zerada, sem manuseio <3

Achado da semana no Estante Virtual: edição de 1980 NOVA. Eu disse NOVA, zerada, sem manuseio <3

Feb 21 ’13

Feb 18 ’13
Sneak peek: Programa do Design sem Designer

Sneak peek: Programa do Design sem Designer

Feb 15 ’13

Treine seu homúnculo

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But in addition, experts have a mental organizational structure that facilitates the retrieval and effective application of their knowledge. Third, experts have an ability to monitor their own thinking (“metacognition”), at least in their discipline of expertise. They are able to ask themselves, “Do I understand this? How can I check my understanding?”

Não é legenda da foto, mas poderia ser.

Leia o texto na íntegra aqui. Há outro link até com sugestões para treinar o bichinho.