
Isso aí na foto é um buraco. Este buraco está aberto há mais de 15 dias na minha rua. Já não está mais só, já que o volume das chuvas trouxe mais quatro amiguinhos para o buraco original.
Essa deve ser a realidade de várias ruas dos bairros da Grande Vitória que não sofreram pra valer com as recentes tempestades. O problema é que, ao contrário da minha rua e de várias outras menos importantes, as vias principais já passaram pela operação tapa-buracos.

A minha curiosidade é: como é possível escalar uma equipe, agendar o caminhão que transporta a mistura de asfalto, ir até uma via importante, cobrir uma série de buracos e simplesmente ignorar TODAS as vias alimentadoras e capilares que se conectam num raio de 200-300 metros?
Ah, existe um itinerário, um planejamento, uma ordem, um sistema. Aham, sei. Vamos fazer um exercício teórico, transformando num passe de mágica uma secretaria de obras ou de infraestrutura de trânsito em uma micro, pequena ou média empresa brasileira. Nem vou pegar pesado sugerindo que seja uma empresa familiar. Vamos supor que se trata de uma empresa devidamente profissionalizada, equilibrada financeiramente, com seus cargos ocupados por mérito e com um certo know-how naquilo que faz: consertar buracos abertos pela chuva.
Um detalhe importante: sua empresa recebe para cobrir TODOS os buracos e recebe por cada um deles. A estratégia é atender e deixar satisfeito o maior número de clientes possível economizando recursos sem perder a qualidade da entrega (poderia falar até em inovação na prestação do serviço mas vou deixar pra lá). Isso é a iniciativa privada, certo?

Observem o mapa acima. As vias indicadas em amarelo e laranja são aquelas contempladas pela operação do poder público perto da minha casa. Vale esclarecer que a codificação das cores NÃO É MINHA. Eu simplesmente capturei o mapa do Google pois a classificação “oficial” da importância e da intensidade do fluxo das vias já explica o critério de seleção da prefeitura quando precisa resolver o problema.
Imaginem. Tudo que está em branco foi até visto pela equipe da operação. Eles proavelmente estacionaram o caminhão em uma via dessas. Fizeram o almoço e o descanso pós-almoço nas diversas vias em branco. Encontraram velhos amigos, falaram sobre festas de fim de ano e desejaram o melhor de 2012 uns aos outros naquelas ruas. Só não fecharam um buraco sequer em nenhuma delas porque… Por quê?
Porque não importa. Porque não passa ônibus ali, porque ninguém daquelas ruas tem tempo de ficar ligando para a prefeitura reclamando dos buracos abertos há 20 dias, porque aquelas pessoas ali simplesmente pagam o IPTU e mais nada, logo isso não dá direito a tratamento VIP.
Cada vez mais eu vejo gente falando em crescimento do Espírito Santo, em eficiência, transparência, qualidade na prestação do serviço público.
A grande verdade é que se qualquer esfera do poder público capixaba fosse uma empresa privada, que depende de eficiência, produtividade e da satisfação dos seus clientes para prosperar, já tinha quebrado.
Neste ano teremos eleições municipais. Seria irônico se fosse um processo seletivo para preenchimento de cargos na iniciativa privada. Será que passaria alguém?