A partir do dia 05 de março de 2012, encerraremos oficialmente as atividades do Núcleo de Interfaces Computacionais da Universidade Federal do Espírito Santo.
Fundado em dezembro de 2009 por mim e certificado pela instituição no início de 2010, o NIC participou (embrionariamente) da SDesign 2010, organizou o Simpav e realizou mais de uma dezena de palestras no projeto Interfaces. Em 2011, expandiu a equipe dos cinco integrantes originais - Cintia, Isa, Marquito, Mari e Vinicius - para o super time que lotou a então recém-inaugurada sala do Cemuni IV: Anaty, Chocobis, Crispim, Débora, Gabi, Gatti, Galdino, Ivanise, Little John, Rangel, Leandro, Luis, Nane chan, Sara, Saulo e Suko chan. Ainda contamos com as contribuições do jornalista Alex Cavalcanti e do professor e publicitário Mauricio Castro.
Desenvolvemos os novos sites da FCAA, Adufes, Centro de Línguas (sendo finalizado), NUPEC, DADM/UFES, XIII Ebramem; projetamos ferramentas sob medida para o Balaio Amarelo, DADM/UFES, Cativa Comunicação; realizamos o projeto TERDesign, iniciativa pioneira na inclusão digital criativa na Casa Brasil; auxiliamos e apoiamos projetos de outros núcleos do Departamento de Desenho Industrial e de outras esferas da Ufes; oferecemos disciplinas optativas e realizamos o primeiro curso de Design de Interação do ES; desenvolvemos o jogo Ecrilândia para a ProEx, num projeto sem precedentes; tentamos viabilizar (sem sucesso) o Elektronic; publicamos a Pesquisa E-leitor, participamos de vários eventos… Enfim, trabalhamos muito e boa parte desse histórico está no blog do NIC que continuará online como registro desses dois anos.
Por que acabar?
Como coordenador, acredito que chegamos ao limite da proposta original. Planejei o NIC tendo em mente um momento específico do curso de Design da Ufes. Era necessário tanto marcar um território dentro quanto fora da Universidade: para dentro, tentei mostrar outros caminhos para os estudantes que não queriam trabalhar com meios analógicos pro resto da vida; para fora, procurei chamar a atenção do mercado para o potencial e capacidade de inovação da Universidade.
Algumas ações surtiram efeito, outras nem tanto. Acertamos bastante, mas erramos muito também. Aprendi bastante sobre as motivações e interesses dos alunos da Ufes e, principalmente, entendi o que é e o que não é possível de se realizar no serviço público.
O esgotamento do modelo inicial do NIC não é uma constatação do fracasso, mas um entendimento de que é possível refinar, direcionar melhor e qualificar a proposta original. Desde 2009 até hoje tenho plena convicção de que a visão e a missão do NIC estão corretas:
Projetar o futuro
Diferenciação por meio da inovação nos conceitos e da simplicidade na execução.
Projetar com o outro
Competência baseada em ética e responsabilidade.
Projetar para todos
Abertura por meio da colaboração.
Nossa visão de futuro consiste numa sociedade democrática, que proporciona acesso livre e indiscriminado às tecnologias, à informação e a oportunidades de aprendizado e desenvolvimento para todos.
De uma forma ou de outra, todos os projetos realizados nesses dois anos incorporam os “três mantras” e a visão de futuro. A questão, a partir de agora, não é incorporar, mas materializar esse pensamento.
E agora?
Não pretendo continuar meu grupo de pesquisa como Núcleo, mas como Laboratório. A diferença é sutil, mas fundamental. A melhor contribuição do NIC para a vida de quem frequentou o espaço foi a convivência e a troca de experiências, não o trabalho em si - que carinhosamente chamávamos de “aquilo que paga as contas”.
Se por um lado optei por oferecer aos bolsistas do NIC um espaço rico para aprenderem e colaborarem tendo projetos reais para realizar, por outro inviabilizei a produção acadêmica deles. Muitos projetos, nenhuma publicação. Não me importo com isso, já que os produtos finais foram positivos. No entanto, tirando a cultura organizacional espetacular que formamos, o NIC não deixou uma contribuição explícita à comunidade acadêmica. A questão agora é tentar inverter o fiel da balança, mantendo a riqueza do espaço e das experiências ali vividas.
Focando no aprendizado pela experimentação e colaboração, no melhor estilo Media Lab, vamos ampliar a função acadêmica desse grupo, afinando o discurso dentro e fora da Universidade, cumprindo o papel social de um grupo de pesquisa que funciona em uma instituição pública e que é mantido (em grande parte) com dinheiro de todos nós. Agora é necessário gerar e compartilhar conhecimento.
O projeto TERDesign, que foi a grande fonte inspiração da ONG Computação para Todos, também é o parâmetro fundamental da formulação do grupo de pesquisa que, a partir de 05 de março, substituirá o Núcleo de Interfaces Computacionais. Durante os onze meses de TERDesign, sentimos na pele o quanto ainda precisamos trabalhar para criar oportunidades reais das pessoas tirarem proveito da tecnologia e realizarem seus projetos de vida. Não basta oferecer computadores, oficinas ou cursos. É preciso entender como aquela tecnologia pode entrar na vida das pessoas. E, sinceramente, não vejo caminho melhor para isso do que pesquisar o problema, de frente.
O NIC acabou, longa vida ao LabPC
O Laboratório de Psicologia da Computação começa exatamente em busca das respostas que o TERDesign, a ONG Computação para Todos, o ProUCA e muitas outras iniciativas tanto precisam:
Ok, a tecnologia está disponível. Temos computadores, celulares, tablets em todos os cantos. O que fazer com tudo isso para melhorar a vida das pessoas? Que diferença faz levar a Computação para a vida delas?
Estou tentando responder essa pesquisa na minha tese de doutorado em Psicologia e pretendo transformar o LabPC num espaço onde haja condições de efetivamente fornecer algumas respostas e propor caminhos para a Computação entrar com o pé direito na vida de quem mais precisa (ou de quem quiser).
Vamos às questões práticas…
Conforme o próprio nome do Laboratório sugere, só teremos uma única linha de pesquisa (mais foco, impossível): Pensamento Computacional.
Gosto da sigla PC porque ela serve a todos os interesses do Lab:
O LabPC começará suas atividades no dia 05 de março, exatamente na mesma sala 03 do Cemuni IV. O espaço está sendo reorganizado para finalmente colocar em prática:
Algumas coisas acabaram e não acontecerão mais:
E algumas coisas novas vão começar a acontecer:
Pra quem estava interessado no NIC e não sabe se gosta desse negócio novo, sugiro espiar a Teoria do Design Computacional. O LabPC pode ser entendido como a TDC com esteróides.
Mais uma novidade
Diferentemente dos semetres anteriores no NIC, não farei seleção de integrantes em 2012/1. Já tenho os colaboradores que preciso e a maioria das ações no primeiro momento realizarei sozinho. Quero ter um ambiente devidamente estruturado antes de começar a fazer orientações.
Aqueles que toparam participar das três linhas de pesquisa do NIC para 2012 (computação vestível, pensamento computacional, computação física) serão convidados a participar da programação aberta, mas as atividades dos grupos de pesquisa só começarão de fato em 2012/2.
E que venha, finalmente, 2012.