hugocristo, firestarter

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Design sem Designer
Mar 22 ’12

Não sou implicante, sou exigente (ou: Design Thinking e a redescoberta da pólvora)

Antes de ser um acadêmico, me considero um cara bem chato. A vantagem é que meu nível de chatice me obriga não apenas a criticar as coisas com as quais não concordo, mas estudá-las profundamente para embasar minhas críticas (modus operandi do ser implicante).

Também foi assim com o livro Design Thinking Brasil, que há alguns meses atraiu a atenção de amigos, alunos e colegas do mercado que frequentam este blog. Critiquei arduamente os conceitos e argumentos dos autores, provocando reações positivas e negativas. Para não ficar no achismo, resolvi comprar o livro e estudá-lo para aí sim fazer críticas mais sérias a partir de um texto que se propõe a sustentar o ponto de vista dos defensores do Design Thinking.

Pois bem. Várias coisas aconteceram nesta semana que me levaram a salas de espera intermináveis. Coloquei o livro na bolsa pra “tentar” aproveitar e a oportunidade para fazer a leitura apareceu, juntamente com a chance de reforçar minhas críticas logo nas primeiras páginas.

Na imagem que abre esse post é possível confirmar minha impressão do post da discórdia de que o Design Thinking é uma coisa vendida por pessoas que não entendem nada de Design ou desconhecem a história da área.

“A expressão Design Thinking foi primeiro utilizada por acadêmicos no início da década de 90 e posteriormente popularizada pela IDEO […]” (p.5)

Nem preciso recuperar meus próprios argumentos ou comentários da discussão anterior. Imagino que qualquer autor que se preze, especialmente se estiver interessado em educação, deveria fazer uma revisão de literatura apropriada do seu objeto de estudo, sob pena de descobrir a pólvora em pleno séc. XXI.

Não estou nem sugerindo uma profunda pesquisa bibliográfica. Até uma busca boba na Wikipedia lembraria um autor mais desatento que o Design Thinking está aí desde Herbert Simon nos anos 60. Mais do que isso, seguindo a abordagem de Bryan Lawson e seu livro clássico dos anos 70, arquitetos e engenheiros também estariam ligados a essa tal forma de resolver problemas.

O próprio Herbert Simon sequer pensava apenas na indústria quando discutiu o tal Design Thinking. Ele tinha interesses específicos em inteligência artificial, no setor de serviços (hoho, Service Design - a vedete da última semana) e teorias econômicas. 

Podem me criticar por ser chato, cricri, implicante, mas não por ser exigente. Essas pessoas estão montando escolas, dando cursos e formando gente. O vazio conceitual dos seus argumentos mostram a pouca preocupação deles em oferecer novos caminhos sólidos aos seus estudantes. Contar metade da história é mais fácil, compromete menos e também ajuda a esconder fraquezas.

Prometo que irei até o final do livro e voltarei a escrever sobre o assunto por aqui. Espero mesmo encontrar boas idéias e histórias dignas de serem espalhadas. Por enquanto, estou encontrando apenas citações célebres de gurus popstars - bem na linha das obras da área de Marketing. E é só.

Nada de novo pra quem se deu ao trabalho, minimamente, de frequentar as aulas de História do Design e de Projeto na faculdade.

2 notes

  1. hugocristo posted this
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